20110616

A face da paixão na alvorada gelificante

Eu acordei com um espírito de guerra. Com um ar questionador, até. Mas de repente, ao sair de casa, dei-me de cara com outros problemas e percebo-me a perguntar se meu pequeno guarda-chuva - que já é insuficiente para nós três (Eu, minha volumosa mochila e meu, ainda mais volumoso, violão) - conseguiria ao menos proteger minha cabeça. Há! Mal, mal, minha face!

E seguem-se questionamentos mucosos sobre um futuro de contrastes temperaturais entre corpo e meio. E em meio a toda essa batalha eis que uma figura faz-me abandonar tudo para apenas perguntar-me sobre qual seria o rosto pelo qual Eu me apaixonaria.

Tudo o mais some para dar lugar a este pensamento em minha caminhada feita em caçada. As pernas agora seguem dois comandos: chegar ao destino e alcançar o destino. Mas minha mente está mais nublada que próprio ambiente em que estou imerso e vejo apenas umtênue foco de luz que segue à minha frente no nuvem baixa: será esse, o rosto objeto de minha paixão?

Alcanço-a.

Meu coração lembra-me, de sua gaiola de ossos, músculos e panos, que estou vivo!

Ultrapasso-a e...

Vejo-me ao lado de um rosto majestosamente forte e surpreendentemente delicado nessa força.

O rosto sorri para mim de dentro da sua moldura, afigurando-se mais simpático, como se dissesse: sim, meu fiel súdito? Em que posso ajudá-lo? E alegro-me boba e imensamente com esse sorriso de atenção educada que mostra confiar o suficiente para responder meu humilde e hesitante olhar com a luz e o calor de um castelo que se abre para acolher a insignificância de um servo que é apenas mais um.

Mas mesmo esse esplendor é, para mim, um tanto decepcionante; um momento de alegria fulgaz que escorre de mim com a velocidade do vento que me estapeia. Porque não era o rosto de minha paixão. Não era este que mudaria meu caminho; e nele permaneci, deixando o rosto tomar o  seu próprio.

"De volta à guerra!" Declarei a mim mesmo, sem entusiasmo. Estava novamente na trilha do guerreiro, mas a guerra já estava vencida por aquela face que não era a da minha paixão.

...

Entro no ônibus distribuindo e coletando "bons dias" familiares a familiares rostos, mas que também não são minha paixão - só alguns, algumas vezes.

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